Tribulus terrestris

Tribulus terrestris: libido sem elevar testosterona?


O Tribulus terrestris ficou famoso como “aumentador natural de testosterona”, mas esse é justamente o ponto em que a publicidade tradicional se afastou da evidência. Estudos clínicos em homens não mostram aumento consistente de testosterona com a suplementação isolada de Tribulus.

Isso não significa que a planta seja necessariamente inútil. Nos últimos anos, a evidência mais interessante passou a aparecer em outra área: função sexual e disfunção erétil, aparentemente por mecanismos que não dependem de elevar testosterona.

Tribulus terrestris estudado para libido e função sexual
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Tribulus aumenta testosterona?

A melhor resposta hoje é: não de forma confiável em humanos. Uma revisão sistemática que avaliou a literatura sobre testosterona concluiu que as alegações de aumento hormonal não eram sustentadas pelos estudos disponíveis. Revisões mais recentes chegam a conclusão semelhante: alguns trabalhos encontram mudanças pontuais, mas a maior parte não demonstra aumento relevante da testosterona total.

Portanto, não faz sentido explicar o Tribulus dizendo que suas saponinas “aumentam LH e consequentemente testosterona” como se esse mecanismo estivesse estabelecido clinicamente.

Então por que alguns estudos encontram melhora sexual?

Ensaios clínicos avaliaram extratos padronizados em homens com disfunção erétil. Um estudo randomizado com 180 participantes encontrou melhora de diferentes domínios do questionário IIEF após 12 semanas. Uma meta-análise publicada em 2026 reuniu oito estudos e encontrou melhora de escores de função erétil em relação ao placebo, sem diferença significativa na testosterona total.

Isso reforça uma ideia importante: eventual melhora de libido ou função erétil não precisa ocorrer por elevação hormonal. Foram propostos mecanismos envolvendo óxido nítrico e função vascular, mas eles ainda não estão completamente definidos.

E massa muscular e performance?

A evidência não sustenta Tribulus como um anabolizante natural confiável. Estudos em indivíduos treinados não demonstraram de maneira consistente aumento de força ou massa muscular atribuível à elevação de testosterona.

Ele também não deve ser apresentado genericamente como tratamento para infertilidade, doenças autoimunes, hipertensão ou “proteção do fígado” com base apenas em estudos experimentais. Cada uma dessas alegações exigiria evidência clínica própria.

Por que “500 mg de Tribulus” diz pouco?

Fitoterápicos variam muito conforme parte da planta, origem, método de extração e teor de saponinas. Dois extratos com 500 mg podem entregar quantidades muito diferentes de compostos bioativos.

Um dos ensaios clínicos positivos utilizou um extrato com especificação definida de saponinas furostanólicas. Por isso, em uma formulação magistral, faz mais sentido olhar a padronização do extrato do que repetir uma dose em miligramas sem saber exatamente qual matéria-prima está sendo usada.

Combinações: quando fazem sentido?

Tribulus pode ser combinado com outros fitoterápicos ou nutrientes quando cada componente tem um objetivo definido. Por exemplo, Eurycoma longifolia, ashwagandha ou maca possuem literaturas próprias e mecanismos diferentes. Mas colocar vários “ativos para libido” na mesma cápsula não demonstra automaticamente sinergia.

A vantagem da manipulação é permitir que o prescritor escolha extratos padronizados, proporções e doses de acordo com o perfil do paciente e simplifique o número de cápsulas quando a associação for coerente.

Referências

Qureshi, A. et al. (2014). A systematic review on the herbal extract Tribulus terrestris and the roots of its putative aphrodisiac and performance enhancing effect. Journal of Dietary Supplements, 11(1), 64–79. https://doi.org/10.3109/19390211.2014.887602

Kamenov, Z. et al. (2017). Evaluation of the efficacy and safety of Tribulus terrestris in male sexual dysfunction. Maturitas, 99, 20–26. https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2017.01.011

Suharyani, S. et al. (2026). Tribulus terrestris for management of patients with erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis of randomized trials. International Journal of Impotence Research, 38(1), 11–18. https://doi.org/10.1038/s41443-025-01086-7

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