Aveia coloidal: barreira, eczema e microbioma
A aveia coloidal é produzida a partir de aveia finamente processada e dispersível em água. Diferente de um simples “extrato de aveia”, ela contém uma mistura de proteínas, lipídios, beta-glucanas, amido e compostos fenólicos como as avenantramidas, que ajudam a explicar seus efeitos sobre hidratação, barreira cutânea e inflamação.
Ela é especialmente interessante em pele seca, sensível e dermatite atópica, onde a barreira epidérmica costuma estar comprometida.
A equipe farmacêutica da Invictus pode ajustar concentração, veículo e associação com ceramidas, umectantes ou outros ativos conforme a necessidade da pele.
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Como ela ajuda a barreira da pele?
A aveia coloidal possui componentes com funções complementares. Beta-glucanas e polissacarídeos ajudam na retenção de água; lipídios contribuem para o filme superficial; e avenantramidas apresentam atividade anti-inflamatória e antipruriginosa em estudos experimentais.
Também existem dados mostrando modulação de genes relacionados à diferenciação epidérmica, junções celulares e metabolismo de lipídios, o que dá suporte ao uso em pele seca e com barreira comprometida.
O estudo sobre eczema e microbioma
Um estudo clínico de 2020 comparou um creme contendo 1% de aveia coloidal com um hidratante padrão sem fragrância em pacientes com eczema leve a moderado. Sessenta e um participantes completaram o estudo, com tratamento por 14 dias e acompanhamento adicional.
No grupo da aveia coloidal houve redução de 51% no EASI e 54% no ADSI em relação ao início. O produto também melhorou hidratação, pH e medidas de função de barreira.
No microbioma, os autores observaram tendência a menor prevalência de espécies de Staphylococcus e maior diversidade nas lesões. É importante usar essa palavra: o estudo sugere um efeito favorável sobre o microbioma, mas não prova que a aveia “normaliza” ou “equilibra” definitivamente a microbiota da pele.
A fórmula inteira também importa
O estudo não avaliou aveia coloidal isolada em água: avaliou um creme completo contendo 1%. Em dermocosméticos, emulsificantes, umectantes, emolientes, conservantes e lipídios da base influenciam muito o resultado final.
Por isso, não faz sentido concluir que “quanto maior a concentração, melhor”. A concentração adequada depende da matéria-prima, da finalidade e do veículo. Uma fórmula bem desenhada com 1% pode ser mais interessante do que uma concentração maior em uma base inadequada.
Combinações que fazem sentido
Em fórmulas para barreira comprometida, a aveia coloidal pode ser associada a ceramidas, glicerina, ácido hialurônico, pantenol ou outros emolientes e umectantes. Em pele muito reativa, também é possível simplificar a composição e evitar fragrâncias ou excesso de ativos.
A manipulação é útil justamente porque permite escolher o veículo de acordo com o problema: creme mais oclusivo para xerose intensa, emulsão leve para uso diurno ou formulação de banho e limpeza para áreas extensas.
Referências
Capone, K. et al. (2020). Effects of colloidal oatmeal topical atopic dermatitis cream on skin microbiome and skin barrier properties. Journal of Drugs in Dermatology, 19(5), 524–531. https://doi.org/10.36849/JDD.2020.4924
Ilnytska, O. et al. (2016). Colloidal oatmeal (Avena sativa) improves skin barrier through multi-therapy activity. Journal of Drugs in Dermatology, 15(6), 684–690.
Fowler, J. F. Jr. (2014). Colloidal oatmeal formulations and the treatment of atopic dermatitis. Journal of Drugs in Dermatology, 13(10), 1180–1183.
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