Onicomicose: tratamento e formulações tópicas
A onicomicose é uma infecção fúngica da unha causada principalmente por dermatófitos, mas também pode envolver leveduras e fungos filamentosos não dermatófitos. Como várias doenças podem deixar a unha espessada, amarelada ou quebradiça, confirmar que o problema é realmente fúngico ajuda a evitar meses de tratamento inadequado.
A equipe farmacêutica da Invictus pode avaliar esmaltes, soluções, concentrações e promotores de penetração conforme a estratégia prescrita.
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Por que é tão difícil tratar?
A placa ungueal é uma estrutura de queratina espessa e pouco permeável. Para um antifúngico tópico funcionar, ele precisa atravessar essa barreira e atingir concentração adequada no leito e nas camadas infectadas da unha. Além disso, unhas dos pés crescem lentamente, então o tratamento costuma durar meses.
Falhas podem ocorrer por diagnóstico incorreto, baixa adesão, comprometimento extenso da unha, envolvimento da matriz, escolha inadequada do antifúngico ou dificuldade de penetração.
Quando o tratamento tópico faz mais sentido?
Esmaltes e soluções tópicas são especialmente úteis em quadros leves a moderados, principalmente quando a matriz não está amplamente comprometida. Amorolfina, ciclopirox e outros antifúngicos tópicos possuem evidência para esse cenário, mas as taxas de cura tendem a ser menores do que com terapia oral em doença extensa.
Uma vantagem importante é a menor exposição sistêmica, o que pode ser relevante em pacientes com interações medicamentosas ou contraindicações a antifúngicos orais.
E quando combinar tópico e oral?
Em casos mais extensos, o prescritor pode associar tratamento sistêmico e tópico. Um ensaio randomizado de 2019 em onicomicose de unhas das mãos comparou amorolfina 5% + fluconazol oral com fluconazol isolado e encontrou melhora superior no grupo combinado. O resultado apoia o conceito de terapia combinada, mas não significa que essa associação seja automaticamente a melhor para toda onicomicose.
O papel da manipulação: melhorar a entrega
Na unha, a forma farmacêutica é parte central do tratamento. Bases filmógenas permitem que o antifúngico permaneça em contato prolongado com a placa. Também podem ser estudados promotores de penetração e agentes queratolíticos.
A ureia, por exemplo, pode amolecer e desestruturar parcialmente a queratina. Uma revisão sistemática encontrou tendência de benefício quando usada como adjuvante a antifúngicos, embora os estudos ainda sejam heterogêneos. Em unhas muito espessas, reduzir mecanicamente ou quimicamente a barreira pode facilitar a chegada do fármaco.
Por que não existe uma fórmula única?
Uma unha fina com acometimento distal pequeno é muito diferente de uma unha espessada, distrófica e com grande área envolvida. O tratamento pode mudar em antifúngico, veículo, frequência, necessidade de queratólise e duração.
Essa é uma situação em que a manipulação pode agregar valor de forma bastante concreta: adequar o sistema de liberação ao estado físico da unha, em vez de apenas trocar a dose do antifúngico.
Referências
Gupta, A. K. et al. (2014). Topical therapy for toenail onychomycosis: an evidence-based review. American Journal of Clinical Dermatology, 15. https://doi.org/10.1007/s40257-014-0096-2
Chandra, S. et al. (2019). A randomized, double-blind study of amorolfine 5% nail lacquer with oral fluconazole compared with oral fluconazole alone. Indian Journal of Dermatology, 64(4), 253–260. https://doi.org/10.4103/ijd.IJD_385_17
Francuzik, W. et al. (2019). The use of urea for the treatment of onychomycosis: a systematic review. Journal of Foot and Ankle Research.
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